Holy Cow, David Duchoviny

domingo, 16 de abril de 2017


Sinopse oficial: Elsie Bovary é uma vaca muito feliz em sua bovinidade. Até o dia que resolve sair sorrateiramente do pasto e se vê atraída pela casa da fazenda. Através da janela, observa a família do fazendeiro reunida em volta de um Deus Caixa luminoso - e o que o Deus Caixa revela sobre algo chamado "fazendo industrial" deixa Elsie e tudo o que ela sabia sobre o seu mundo de pernas pro ar. A única saída? Um mundo melhor e mais seguro. Assim, um grupo para lá de heterogêneo é formado: Elsie; Shalom, um porco rabugento que acaba de se converter ao judaísmo; e Tom, um peru tranquilão que não sabe voar, mas que com o bico consegue usar um iPhone como ninguém. Munidos de passaportes falsos e disfarçados de seres humanos, eles fogem da fazenda e é aí que a aventura deles alça voo - literalmente. As criaturas carismáticas de David Duchoviny indicam o caminho para um entendimento e uma aceitação mútuos dos quais esse planeta tanto precisa.

   Vocês devem estar pensando que eu vou falar sobre um livro infantil. Afinal, que história é essa de um bando de animais falantes? Pois eu já vou adiantando que Holy Cow: Uma Fábula Animal definitivamente não foi feito para crianças. Por mais incrível que pareça, a trajetória de uma vaca pra escapar de ser devorada pelos humanos é muito mais divertida e adulta do que parece.

"Mas estou divagando. Talvez a divagação não seja realmente divagação, talvez a menor distância entre dois pontos na mente não seja uma reta. Rumina essa."
   Perdendo apenas para contos de fadas na minha lista de histórias feitas para criança mas que eu não consigo deixar de amar, fábulas são histórias adoráveis, mas que eu confesso nunca ter pensado em ler depois de adulta. Talvez as mais conhecidas para ter aquele gostinho de nostalgia da infância, mas não um livro... Definitivamente, não é a temática que eu imaginava para alguém da minha idade. Foi aí que vi a capa de Holy Cow e pensei em conhecer a bizarrice que seria a história de uma vaca eu amo temas bizarros, me julguem.

     Holy Cow é basicamente a jornada da Elsie, uma vaca muito espirituosa e cheia de sensor de humor, até a Índia. Junto dela, Shalom (o porco) viaja para Israel para não ser devorado, já que judeus não comem carne suína. Por sua vez, o peru Tom quer chegar à Turquia. Aparentemente, a história é bem levinha e superficial. De fato, a narração em primeira pessoa de Elsie deixa tudo mais casual, e devo dizer que dei boas risadinhas ao longo do livro. São piadas sarcásticas, bem pensadas, que fazem o leitor abrir um sorriso por dentro sem forçar a barra.

"A lista é interminável. Seres humanos comem qualquer coisa se um salzinho e uma manteiguinha forem acrescentados à coisa. E manteiga é feita do nosso leite. Isso me faz sentir estranhamente cúmplice e culpada."
   Ao longo de tudo, você vai percebendo que Holy Cow não é simplesmente um livro de humor com uma pitada de loucura. Há muitas cenas mirabolantes, de fato, mas o que acontece é que David resolveu usar esse estilo para cutucar questões muito sensíveis, como veganismo e guerras religiosas. Ele utiliza uma narrativa gostosa e simples para escancarar que a humanidade tem problemas de soluções muito simples, mas que não coloca em prática por motivos repugnantes como a ganância ou o orgulho. Há vários trechos em que nos pegamos refletindo sobre nossos hábitos alimentares, de lazer ou pessoais, e muitas vezes fica difícil dizer como o autor conseguiu nos alcançar a esse ponto contando a história de uma vaca.

"Até os mais pobres, que nada possuíam, nos davam um pouco desse nada. Eu nunca tinha visto tanta pobreza, e tudo isso na cidade com a sexta maior concentração de bilionários do mundo. E, mesmo assim, o que os pobres tinham, eles compartilhavam comigo, mesmo não compartilhando uns com os outros. Humanos podem ser generosos, embora não tão frequentemente com outros seres humanos."
   Lá pela parte final da histórias, as cenas mais mirabolantes começam a acontecer com maior frequência, contudo a curiosidade reina e você não consegue de desistir de saber o que vai acontecer com Elsie e o restante dos animais.  

   Achei que poderiam haver menos cenas forçadas, porque a história já estava bem gostosa quando elas apareceram. Entendo que um livro que conte a jornada de uma vaca por ela mesma não é nem um pouco realista, mas em alguns pontos senti que tudo perdeu um pouco do foco. Quando Shalom fala muitas palavras em alemão, muitas vezes também achei um humor sem graça e desnecessário. Porém, é uma história gostosa com muita cara de fim de semana, pra relaxar sem sentir que está lendo alguma coisa mal feita. Curioso, pra dizer o mínimo!

Classificação final


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Criado por: Maidy Lacerda
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