Wishlist - Primeiro semestre de 2016

segunda-feira, 28 de março de 2016

   Quem não gosta de ler conhece aquele amigo, namorado ou familiar que adora. E nós, os que amam leitura, nos perdemos pelos corredores das cada vez mais numerosas e grandiosas livrarias. As editoras fazem eventos, parcerias e edições cada vez mais caprichadas: não é mais tão fácil fugir do universo de quem adora se perder em páginas, sejam elas virtuais ou não. Mas e quando a variedade é tão grande que a gente nem sabe por onde começar?
   É por isso que hoje eu compartilho com vocês 5 obras que pretendo ler ainda nesse primeiro semestre de 2016. Vamos conversar sobre a sinopse e os motivos que me fazem procurá-las nas prateleiras e cogitar a hipótese de transportá-las para a estante. Vamos lá?

Depois de Você - Jojo Moyes
A sinopse oficial pode conter spoilers! Por isso, optei por disponibilizá-la em um link separado. Você pode conferir aqui!  Quem viu a resenha do aclamado Como Eu Era Antes de Você percebeu que, assim como milhares de leitores, eu caí de amores por Jojo Moyes e sua narrativa simples e impecável. A moça não pesou na mão no quesito melação, e o romance mais gostoso que li nos últimos anos já tem continuação. Como vocês sabem, o Olhei no Rodapé é totalmente contra spoilers (você sabe o que é um spoiler? Clique aqui se não souber!), então só dá pra dizer que o primeiro livro deixa uma lacuna muito interessante. Não dá pra ignorar o desejo de ler Depois de Você o quanto antes! A curiosidade de saber se Jojo conseguiu embalar a continuação de tudo da mesma maneira delicada e envolvente toma conta.




O que Há de Estranho em Mim - Gayle Forman
Sinopse oficial: "Ao internar a filha numa clínica, o pai de Brit acredita que está ajudando a menina, mas a verdade é que o lugar só lhe faz mal. Aos 16 anos, ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar as infrações alheias para ganhar a liberdade. Sem saber em quem confiar e determinada a não cooperar com os conselheiros, Brit se isola. Mas não fica sozinha por muito tempo. Logo outras garotas se unem a ela na resistência àquele modo de vida hostil. V, Bebe, Martha e Cassie se tornam seu oásis em meio ao deserto de opressão. Juntas, as cinco amigas vão em busca de uma forma de desafiar o sistema, mostrar ao mundo que não têm nada de desajustadas e dar fim ao suplício de viver numa instituição que as enlouquece." - A autora de Se Eu Ficar veio com uma sinopse ainda mais promissora dessa vez. Além de se adequar muitíssimo bem a muitas realidades em vários âmbitos diferentes, O que Há de Estranho em Mim parece ser um livro intenso, reflexivo e cheio de metáforas. Fiquei no mínimo curiosa e - confesso - tenho altas expectativas. É esperar (e ler) pra ver!

Caixa de Pássaros - Josh Malerman
Sinopse oficial: "Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Cinco anos depois do surto ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos. Ela sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas a viagem que tem pela frente é assustadora: uma decisão errada e eles morrerão." - Eis um pupilo meu desde o ano passado. Enrolei, enrolei e enrolei e acabei esquecendo de um dos suspenses mais comentados ultimamente. Caixa de Pássaros é uma das minhas apostas mais fortes desse semestre pra suspense, gênero mais do que favorito como vocês já estão carecas de saber. A história fala sobre um surto mundial de suicídio: ninguém sabe o que desencadeou essa espécie de epidemia nem como combatê-la. Uma mulher e seus dois filhos tentam escapar de todo esse terror, e é aí que começa o que muita gente diz ser uma experiência aterradora. Quero muito!


A Arte da Guerra - Sun Tzu
Sinopse oficial: "O maior tratado de guerra de todos os tempos em sua versão completa em português. 'A Arte da Guerra' é sem dúvida a Bíblia da estratégia, sendo hoje utilizada amplamente no mundo dos negócios, conquistando pessoas e mercados." - Nunca fui muito chegada em livros que falam sobre estratégias. Não que eu não ache que eles sejam importantes... É só o tipo de literatura que não me prende, não me desperta curiosidade e me impede sempre de passar da décima página. Contudo, tenho excelentes experiências com literatura oriental e me simpatizei muito com a disposição da nova edição de A Arte da Guerra. Sun Tzu distribui em 13 enxutos e fluidos capítulos truques estratégicos chineses que podem ser aplicados para tudo nessa vida. O fato é que fiquei muito curiosa depois de folheá-lo em uma visita à livraria e pretendo descobrir se ele é tão interessante quanto parece. Prometo contar tudo!



Ovelha (Memórias de um Pastor Gay) - Gustavo Magnani
Sinopse oficial: "Um pastor gay, casado com uma ex-prostituta, filho de uma fanática religiosa. Neurótico e depravado. E agora condenado. Internado no hospital, debilitado e com um segredo de uma tonelada nas costas, este personagem atormentado decide libertar-se de seus demônios e relatar seu drama. Num relato cru e sem censura, ele literalmente vomita seus trinta anos de calvário e charlatanice na cara da congregação (e de qualquer um que se interesse por um bom inferno)." - Eu adoro uma boa e bem implantada polêmica, especialmente em se tratando de religião. Eu sei, eu sei... Existe a velha expressão que diz que religião não se discute, mas é impossível negar que o senso crítico aflora quando vemos tanta coisa errada em diversos meios, inclusive esse. Não sentir no mínimo curiosidade pela obra de Gustavo é quase como perder a oportunidade de descobrir o que pode ser uma excelente crítica social. Pago pra ver!



Tô morrendo de curiosidade pra saber qual é a wishlist de vocês! Vale contar por aqui mesmo, pelo Twitter (mais de 260 seguidores! Obrigada, galera!) ou até pelo Facebook. Espero vocês no próximo post







O Demônio do Meio Dia, Andrew Solomon

terça-feira, 22 de março de 2016

Sinopse oficial: "Partindo de sua própria batalha contra a depressão, Andrew Solomon constrói um retrato monumental da doença que assola nossos tempos. Lançado em 2000, O Demônio do Meio-Dia continua sendo uma referência sobre a depressão, para leigos e especialistas. Com rara humanidade, sabedoria e erudição, o premiado autor Andrew Solomon convida o leitor a uma jornada sem precedentes pelos meandros de um dos temas mais espinhosos e complexos de nossos dias. Entremeando o relato de sua própria batalha contra a doença com o depoimento de vítimas da depressão e a opinião de especialistas, Solomon desconstrói mitos, explora questões éticas e morais, descreve as medicações disponíveis, a eficácia de tratamentos alternativos e o impacto que a depressão tem nas várias populações demográficas (sejam crianças, homossexuais ou os habitantes da Groenlândia).
No epílogo inédito escrito exclusivamente para a nova edição brasileira, conhecemos o que aconteceu com Solomon, com os entrevistados e com os tratamentos da depressão desde a publicação da obra. A inteligência, a curiosidade e a empatia do autor nos permitem conhecer não só as doenças mentais, mas a profundidade da experiência humana."
 Como vocês já estão sabendo, terminei a leitura de Como Eu Era Antes de Você (Jojo Moyes) recentemente. Como comentei no post sobre esse livro, é muita coragem terminá-lo e partir direto para sua continuação; uma ficção que me deixa vulnerável acaba pedindo por um livro um pouco mais sólido em seguida. Mais alguém é assim?

   Bom, resolvi apostar num aclamado científico sobre depressão: O Demônio do Meio Dia - Uma Anatomia Sobre Depressão, de Andrew Solomon.

   Meu interesse por literatura científica é quase restrito a psicologia e suas vertentes. Assuntos meio biológicos, meio psíquicos (a chamada psicobiologia) são o número 1 quando resolvo procurar por algo mais estudioso, por assim dizer. Ávida pela temática, mergulhei de cabeça nas páginas metade poesia metade ciência.

   É um livro denso. E aqui não me refiro ao número de páginas, mas a quantidade de disposição que você precisa ter para ir para cada capítulo. Por vezes, parei na terceira ou quarta página do dia - habitualmente, consumo pelo menos umas quinze. Mas o isto o faz um livro ruim?
  
(Como resistir a um gif de gatinho como esse pra ilustrar o post?)     

   Depende do que você espera dele. Não é, definitivamente, uma leitura descontraída e despretensiosa. O autor faz questão de explicar e misturar aspectos de sua experiência pessoal, filosofia, psicologia e outros estudos o tempo todo, o que faz com que cada parágrafo tenha um elevado peso e traga alguma reflexão. Não é um livro pensado para o seu fim de semana na praia ou para atender a uma expectativa tranquila e romântica. Na realidade, é um convite a abordagem em vários pontos da depressão, excelente para quem procura saber mais sobre a doença.

   Depressão não é frescura e Andrew não apenas deixa isso claro através de entrevistas, dados de estudos confiáveis e experiências pessoais relatadas, como deixa seu leitor munido de argumentos para uma pequena prosa com algum estudioso sobre o assunto. É uma leitura enriquecedora mas muito cansativa, então pense bastante antes de correr para a prateleira ou adicioná-lo a sua cesta virtual. Pessoalmente, estava procurando algo ligeiramente mais fluido (como O Poder dos Quietos, lembram?) mas fiquei feliz com a experiência. Não sei se aconteceria o mesmo caso ainda estivesse na faculdade ou com outras 300 leituras para fazer, pois é o tipo de obra que te consome as energias e demanda uma real determinação para determiná-la. De qualquer forma, agora estou pronta para a próxima ficção, né? Vejo vocês no próximo post!

Classificação final







Saga Encantadas, Sarah Pinborough

terça-feira, 15 de março de 2016

Sinopse Oficial - Veneno, Livro I  
Veneno é o primeiro da trilogia Encantadas, e já é um best-seller inglês. Sarah Pinborough coloca os contos de fadas de ponta-cabeça e narra histórias surpreendentes que a Disney jamais ousaria contar. Com um realismo cínico e cenas fortes, o leitos será levado a questionar, finalmente, quem são os mocinhos e quem são os vilões dos livros de fantasia. 
Sinopse Oficial - Feitiço, Livro II
Em um reino próximo, a realeza anuncia um baile que encontrará uma noiva para o príncipe e parece que o desejo de Cinderela ira ganhar aliados peculiares para ser realizado. Entretanto, não será fácil: ela não é a escolha da família para o casamento real, e sua fada madrinha precisa de um favor em troca da transformação de Cinderela. Enquanto isso, Lilith não está satisfeita com os acontecimentos mais recentes e, ao mesmo tempo em que seu reino parece sucumbir ao frio, ela resolve usar sua magia para satisfazer seus desejos. 
Sinopse Oficial - Poder, Livro III 
Que tipo de bruxaria assolaria uma cidade inteira e seus respectivos habitantes? E, principalmente, que m faria mal a uma jovem, tão boa e tão bela rainha? A não ser, claro, que os olhos não percebam o que um coração cruel pode esconde… Poder é o terceiro livro da saga Encantadas, e traz como história o conto da Bela Adormecida. Entretanto, esqueça os clichês tradicionais e se entregue a uma nova visão dos contos de fada, em que heróis e anti-heróis precisam se unir para não parecerem à beleza superficial de princesas e rainhas egocêntricas e aos príncipes em busca de aventura.

   Quase uma semana sem post! Mas pra compensar, hoje trago uma resenha em dose tripla: vamos conversar por inteiro sobre uma série de livros bastante comentada: a trilogia Encantadas, da Sarah Pinborough.

   Ultimamente existe uma febre muito grande em modificar contos de fada. Parece que depois das séries Once Upon a Time e Grimm terem ganhado o gosto de muita gente, a coisa só ficou mais séria: até a própria Disney que tem há anos suas versões consolidadas de clássicos de contos infantis investiu em Malévola, Cinderela e outros filmes que mudaram em diferentes proporções as visões sobre as famosas princesas, caçadores, feitiços e tudo mais.

   Sempre fui apaixonada por eles. Com mais de 20 anos nas costas ainda não consegui me livrar da obsessão em saber todas as músicas da Disney, do sonho de conhecer os parques em Orlando e tudo mais. Assisti as primeiras temporadas de Once Upon a Time (parei quando colocaram a Elza. Frozen? Numa série de contos clássicos? Oi?), corro pro cinema pra ver adaptações e claro, não deixei de conferir a Saga Encantadas logo que ela foi recomendada por uma amiga minha de longa data.

   Os livros têm aspectos comuns entre si e, ao mesmo tempo, particularidades que fazem com que eles tenham um clima diferente. O que podemos encontrar nos três volumes é uma escrita simplória, quase infantil, permeada por palavrões e descrições rápidas de ações. Não há ambientação bem feita; no máximo uma descrição de duas ou três linhas do cenário em que se acham os personagens. Isso pode ter sido um recurso da autora para a fluidez da história (os três volumes são absolutamente enxutos), mas senti falta de um floreio a mais na descrição dos ambientes e até dos próprios personagens. Cadê o glamour dos contos de fada, minha gente?


   Quando se assiste Once Upon a Time, por exemplo, você começa a ter um padrão altíssimo sobre adaptações desse ramo. Eu esperei pacientemente, nos três volumes, histórias que se interligassem de forma impecável, surpreendente e plausível. Esperava caracterizações psicológicas e visuais deslumbrantes, ironias, maravilhas e surpresas tal qual na série. Bom, a parte de histórias interligadas aconteceu... De forma mais medíocre, mas aconteceu. Dá pra ler os três volumes separados sem qualquer transtorno, embora eu recomende que você os leia na ordem porque a experiência de encaixar as poucas pecinhas aos poucos é muito mais gostosa e menos maçante.

   Acontece que eu acho que a Saga de Pinborough forçou a barra na polêmica e esqueceu de ser profunda. Vemos casais homoafetivos, cenas de sexo (narradas de forma péssima, preciso dizer!) e palavrões, mas história mesmo, profundidade, atenção aos detalhes e complexidade passaram longe. Não são livros absolutamente ruins, mas não é nada para que você possa apostar suas fichas em termos de adaptação de contos. Não é nada grandioso, que vai lhe fazer ter outra versão dos seus clássicos favoritos: é quase uma aba pornô e devassa sobre as histórias que a gente mais gosta.

   Não vou mentir: em vários momentos eu fiquei curiosa para saber o que iria acontecer, mas nada que me prendesse muito ou me fizesse dispensar um episódio de alguma série ou filminho com pipoca, como aconteceu com Como Eu Era Antes de Você ou Battle Royale (posts sobre essas belezinhas aqui e aqui!). Não encontrei as cenas chocantes da sinopse, talvez porque eu esteja muito acostumada com descrições muito mais cruéis e detalhadas sobre quase tudo. Pareceu uma estratégia de marketing (que deu certo) para impulsionar a fama de Encantadas, e não uma apresentação dos livros.

   Se fosse para eleger um dos três como melhor, com certeza eu apostaria no segundo. Feitiço é um pouquinho original, mais envolvente e menos engessado. Li a saga inteira em uma semana, mas Feitiço foi o único dos três que realmente me arrancou algumas arqueadas de sobrancelha. Já li muitas críticas, comentários e resenhas excelentes e positivos sobre Encantadas, mas para mim vale apenas o seu fim de semana - no máximo. Apesar de não ter nenhuma ligação direta com elas, seguirem apenas o mesmo estilo... Fico com as séries! ]


Classificação Final

   Em tempos: pessoal, o Olhei no Rodapé anda com poucos posts porque estou começando os estudos em um novo idioma e trabalhando bastante. Em breve consigo me adaptar e voltar com o ritmo antigo de posts, mas desde já quero agradecer aos mais de 250 seguidores no Twitter! Podem acompanhar pelo Facebook também, porque sempre que posto aqui aviso lá! Um beijo encantado pra vocês!
  








Os fãs de Harry Potter estão ficando velhos?

quarta-feira, 9 de março de 2016

   Lembro perfeitamente do burburinho que foi a estreia do primeiro filme da saga Harry Potter no cinema. Eu tinha 9 anos e - confesso - nunca tinha ouvido falar no bruxinho, até que acompanhei algumas amigas e família ao cinema e me encantei. Já gostava bastante de livros e quando descobri que era uma série literária, corri pra acompanhar. Me apaixonei. Foi assim minha porta de entrada definitiva para o mundo dos livros, que antes recebeu um forte empurrão das fábulas que minha mãe contava todos os dias antes de dormir - e não, ela não gosta de ler. Hoje é diferente! Mais de dez anos depois, a garotada tem até séries destinadas a elas - e um gosto variado, mas muito variado.


   Jogos Vorazes é um fenômeno mundial. Particularmente, existe um livro que juram ter sido seu precursor (falamos dele aqui, lembra?), que acho muito melhor e menos conhecido. Contudo, é impossível negar que a guerra dos Distritos contra a Capital fez e faz muito sucesso, assim com Percy Jackson e os Olimpianos, Guerra dos Tronos, Divergente e outras sagas ganham cada vez mais espaço. Mas e aí, e Hogwarts? Onde estão os hipogrifos, as corujas e o Ministério da Magia?

   Harry Potter jamais ficará ultrapassado. Além dos lançamentos estratégicos de tempos em tempos, como novas edições e livros sobre os bastidores dos filmes, a genialidade de J.K Rowling é capaz de ultrapassar todas as barreiras do tempo. Criar um novo e complexo universo com regras próprias, estórias interligadas e personagens muitíssimos complexos não é pra qualquer um. Mesmo em tempos em que se escuta falar muito mais em romances bem doces e erotismo literário, não dá pra esquecer as filas enormes, os cosplayers empenhados e os milhões de fãs espalhados pelo mundo que Harry Potter tem até hoje.

   Os fãs de Harry Potter são, hoje, em sua maioria compostos por jovens de 20 a 26 anos, mas todo dia alguém novo conhece esse verdadeiro clássico. Gostando ou não, é impossível não admitir que o universo bruxo foi um marco na literatura mundial e que vai continuar sendo. Se você nunca deu uma chance as palavras e a imaginação dessa saga, tá mais do que na hora de experimentar, viu? Antes que você seja moralmente obrigado(a) a ler para os seus filhos. Grande beijo e até o próximo post! 







Entrevista Com o Vampiro, Anne Rice

sexta-feira, 4 de março de 2016

Sinopse oficial: Escrita em 1976, Entrevista com o Vampiro inicia a série que apresentou O vampiro Lestat e A rainha dos condenados, levando os críticos à descoberta de que se trata da mais voluptuosa e sedutora história de horror do nosso tempo. Uma história que começa com a ousadia de um jovem repórter ao entrevistar Louis de Pointe du Lac, nascido em 1766 e transformado em vampiro pelo próprio Lestat, figura apaixonante que terminará, ao longo da série, arrebatando multidões como cantor de rock.

   A literatura vampírica é um verdadeiro universo. Para alguns (como eu), um vasto mundo complexo, elegante e charmoso - ao menos em sua forma original. Sim, é verdade: faz alguns anos que os vampiros ganharam características um tanto quanto discutíveis: brilhar no sol? Se apaixonar? Serem heróis adolescentes? Há quem ache essas adaptações irresistíveis, mas boa parte dos fãs de uma boa história de vampiros sente falta do calculismo, da frieza e das reflexões de um bom e velho clássico: e nessa categoria não se pode deixar de falar em Entrevista com o Vampiro.
   Com muitas edições desde o seu lançamento, esse é um livro que todo mundo que curte uma boa ficção - tendo ela vampiros ou não - deveria conhecer. A edição que tenho em casa tem um capa da Rocco bastante interessante, e como sou bastante ligada a história original nem cogitei a versão em quadrinhos, onde temi que a prioridade fosse as ilustrações e nas as falas brilhantes dos personagens. Anne Rice é uma verdadeira mestre em seres fantásticos, e o retorno de suas Crônicas Vampirescas está quase acontecendo. Enquanto isso, vamos conversar sobre o que seria provavelmente a sua obra mais famosa.

   Apesar de escrito há muito tempo, Entrevista com o Vampiro tem uma narrativa mista muitíssimo bem conduzida. O livro todo gira em torno de uma entrevista que Louis de Pointe du Lac cede a um jornalista, que no início nem mesmo acredita que o rapaz seja mesmo um vampiro. De forma sutil mas definitiva, Louis prova ao entrevistador que não está de brincadeira. E é aí que tudo começa a ficar não só interessante, mas envolvente, mágico e nefasto!

   Por falar nele, Louis é um primor de personagem. Sensível, reflexivo e questionador, ele envolve o leitor em sua história fascinante. Pensa sobre a existência da própria espécie, sobre sua anterior existência como humano, sobre inúmeros pontos existenciais. Tudo em Louis é uma bonita poesia, uma metáfora para as principais dúvidas humanas e sentimentos conflitantes. Ele tem sérias dificuldades em aceitar sua condição de vampiro e filosofa de forma gostosa, sem ser um chato maçante ou um personagem meloso.


   Lestat de Lioncourt, o criador e parceiro de Louis em muitos sentidos, é um poço de sarcasmo, ironia, racionalidade e egoísmo. Impossível não soltar uma risadinha com seus apontamentos sujos, impiedosos e inconvenientes. Ao contrário de Louis, Lestat é perfeitamente conformado e parece orgulhar-se de tirar vidas humanas para se alimentar. Mais do que isso, o vampiro é um professor dedicado e inteligente.

   A menina Cláudia é uma petulante e infeliz vampira controversa: ama ser o que é, mas quer muito mais. Sem ela, a história perderia boa parte da coerência e originalidade. Transformada ainda criança em condições bem curiosas, acaba virando uma mulher em corpo infantil. O resultado disso é surpreendente e enriquecedor na trama.

   E se você está pensando se o gif desse post tem algo a ver com o livro... Brad Pitt, Tom Cruise, Antonio Banderas e Kirsten Dunst são alguns dos nomes da excelente adaptação cinematográfica dele. Com figurinos deslumbrantes e transcrições fiéis dos diálogos e cenas do filme, merece um balde de pipoca e vale as duas horas, especialmente pra quem curte o livro. Cá entre nós, é de tremer na base com os boatos de remake.

   Bom, agora você já sabe o que fazer se não tem programação pro fim de semana: encha-o de dentes afiados e sangue! Beijos


 
© Olhei no rodapé - janeiro/2016. Todos os direitos reservados.
Criado por: Maidy Lacerda
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